Custos e resultado

Quanto custa manter um caminhão por mês (a conta item por item)

Depreciação, seguro, salário, diesel, pneu, oficina. Fizemos a conta fechada de um truck e de uma carreta, com os números na mesa.

Equipe Rodus··5 min de leitura

"Comprei o caminhão à vista, então ele não me custa nada" — essa frase aparece em quase toda conversa com transportadora que está começando. E é a origem de metade dos problemas de caixa que aparecem no terceiro ano.

Caminhão parado custa. Caminhão rodando custa mais. A questão é saber quanto, item por item, pra decidir preço de frete, troca de veículo e até se vale a pena comprar mais um.

Custo fixo: o que sai com o caminhão no pátio

Depreciação

O maior custo invisível. Um truck 6x2 novo em torno de R$ 420 mil, trocado em oito anos por 40% do valor, perde R$ 252 mil no período. São R$ 2.625 por mês que você precisa guardar — ou vai financiar o próximo caminhão inteiro.

Caminhão usado deprecia menos em valor absoluto, mas come mais em manutenção. Uma coisa compensa a outra só até certo ponto: passando de uns doze anos, a manutenção normalmente ganha a corrida.

Financiamento

Se tem parcela, separe juros de amortização. Os juros são custo. A amortização é caixa, e já está representada na depreciação. Contar parcela cheia e depreciação é o erro que faz a conta parecer impossível.

Seguro

Casco, RCTR-C e RCF-DC. Varia muito com a carga, a região e o histórico. Numa operação de carga seca no Sudeste, algo entre R$ 900 e R$ 1.400 por mês para o conjunto.

Impostos e taxas

IPVA, licenciamento, taxas do DETRAN e seguro obrigatório: some o ano e divida por doze. Uns R$ 500 mensais para um truck. Vale montar o calendário anual de documentos do veículo pra nenhuma dessas datas pegar a empresa de surpresa.

Motorista

Salário, encargos, FGTS, provisão de férias e 13º, vale-refeição, seguro de vida da convenção. Um motorista carreteiro custa à empresa entre 1,7 e 2 vezes o salário de carteira. Com R$ 2.900 de salário-base e as verbas variáveis, é comum fechar em R$ 5.000 a R$ 5.600 por mês.

Estrutura

Rastreador (R$ 120 a R$ 250), rateio de RNTRC, contador, sistema, pátio, telefone. Num truck: uns R$ 400.

Fixo total do truck: em torno de R$ 9.900 por mês.

Custo variável: o que sai quando a roda gira

Com 8.000 km rodados num mês:

ItemPor kmNo mês
Diesel (2,6 km/l a R$ 6,30)R$ 2,42R$ 19.360
Arla 32R$ 0,07R$ 560
Pneus (10, com recapagem)R$ 0,18R$ 1.440
Manutenção e lubrificantesR$ 0,45R$ 3.600
Lavagem e despesas de viagemR$ 0,05R$ 400
TotalR$ 3,17R$ 25.360

A conta fechada

Truck 6x2 rodando 8.000 km/mês: R$ 35.260 por mês, ou R$ 4,41 por km.

Pra um cavalo mecânico 6x2 com carreta de três eixos rodando 12.000 km, a lógica é a mesma, com pesos diferentes: o conjunto custa mais caro (uns R$ 700 mil), o consumo cai pra 2,1 km/l, os pneus viram 22, e o total costuma ficar entre R$ 58 mil e R$ 66 mil por mês — algo como R$ 5,00 por km.

O que mexe mais nesse número

Quilometragem. Rodar 12.000 km em vez de 8.000 não aumenta o custo fixo, só dilui. No truck do exemplo, o fixo cai de R$ 1,24 pra R$ 0,83 por km. Cada quilômetro a mais de caminhão ocioso é margem que evapora — a conta está em quanto custa um caminhão parado.

Consumo. Cada 0,1 km/l a mais economiza cerca de R$ 700 por mês nesse perfil. É por isso que direção econômica e calibragem pagam tão rápido.

Idade. Manutenção de R$ 0,45 por km é de caminhão com até seis, sete anos e plano preventivo em dia. Passando disso, R$ 0,80 aparece com facilidade — e sem aviso, porque chega em forma de guincho.

Caminhão usado muda a conta, não a lógica

Comprar seminovo troca depreciação por manutenção, e o ponto de equilíbrio depende de quanto se paga a mais em oficina.

Um exemplo lado a lado, com a mesma operação de 8.000 km/mês:

Novo (R$ 420 mil)Seminovo 5 anos (R$ 250 mil)
Depreciação/mêsR$ 2.625R$ 1.740
Manutenção/kmR$ 0,35R$ 0,60
Manutenção/mêsR$ 2.800R$ 4.800
Consumo2,7 km/l2,5 km/l
Diesel/mêsR$ 18.667R$ 20.160
Diferença mensal—+ R$ 608

Mesmo com R$ 170 mil a menos de investimento, a operação do seminovo sai mais cara no mês nesse cenário. O que decide a favor dele é o capital: R$ 170 mil que não saíram do caixa valem muito para quem está crescendo.

Ou seja: caminhão novo costuma vencer no custo operacional; caminhão usado vence no custo de oportunidade do capital. As duas contas precisam estar na mesa.

O que a conta não pega

Dois fatores que mudam a decisão e não cabem na planilha: disponibilidade (veículo velho quebra mais, e cada dia parado custa R$ 450) e imagem perante certos embarcadores, que restringem idade de frota em contrato. Vale confirmar essa restrição antes de comprar — descobrir depois é caro.

Antes de comprar mais um

Três perguntas resolvem a decisão melhor do que qualquer sensação:

  1. Tenho carga constante pra esse caminhão? Abaixo de 7.000 km por mês, o fixo mata a conta.
  2. Meu frete médio cobre o custo por km com folga de pelo menos 20%? Se não cobre com quatro caminhões, não vai cobrir com cinco.
  3. Consigo bancar dois meses de fixo com o caminhão parado? Porque vai acontecer: revisão, motorista doente, cliente que atrasou a carga.

Quem responde essas três com número na mão, e não de cabeça, erra bem menos. E manter esses números atualizados é o trabalho que o Rodus faz junto da operação: cada abastecimento, nota de oficina e pneu trocado vai alimentando o custo real de cada veículo, sem ninguém precisar montar planilha nenhuma no fim do mês.

Perguntas frequentes

Qual o maior custo de um caminhão?
Em quase toda operação é o diesel, que costuma responder por 40% a 55% do custo total. Depois vêm mão de obra e depreciação. Manutenção só assume a liderança em frota velha ou malcuidada.
Vale mais a pena comprar ou agregar?
Depende da constância da demanda. Caminhão próprio dilui o custo fixo quando roda muito; se a operação tem picos e vales, o agregado entrega flexibilidade sem custo parado. A comparação item a item está no artigo sobre frota própria, agregado ou terceirizado.
Quanto separar por mês pra troca do caminhão?
O valor da depreciação. Se o caminhão custou R$ 420 mil e você pretende trocar em oito anos com 40% de valor de revenda, são R$ 2.625 por mês guardados — que é exatamente o que falta pra quem financia tudo de novo na troca.

Continue lendo sobre custos e resultado